FacebookPinterestTwitter
5. Novembro 2019

REPORT FAST TALKS: FASHION & POSITIVE IMPACT

-  Moda,  ModaLisboa,  ModaLisboa Collective

REPORT FAST TALKS: FASHION & POSITIVE IMPACT

O primeiro dia da ModaLisboa Collective arrancou, uma vez mais, com as Fast Talks. Com o intuito de explorar e discutir o impacto positivo da Moda, reunimos designers, ativistas e investigadores para partilharem entre si e com o público, os projetos e ideias que vão mexer com a indústria da Moda.

Lisboa prepara-se para entrar no ano de 2020 como a Capital Verde Europeia, e estas conversas revelam-se necessárias e urgentes, tendo em conta que a Moda é a segunda indústria mais poluente do mundo. Foi com estes dois pontos em mente que iniciámos a conversa.

Carolina Alvarez-Ossorio encontra-se à frente da comunicação e marketing da Ecoalf, a marca espanhola que recupera desperdício do fundo dos oceanos, e transforma-o em fibra plástica para a criação de vestuário de alta qualidade. Sendo que um dos maiores problemas reside no fundo do mar e provém das grandes cidades, o outro grande objetivo da Ecoalf é a reeducação dos consumidores e da própria indústria, expondo-os ao sistema da economia circular e a novos hábitos de consumo, porque no fim de contas, não importa o que fazemos, mas “como”.

Patrick Duffy, fundador da Global Fashion Exchange, relembra-nos que dos 150 biliões de peças produzidas anualmente, apenas uma pequena percentagem acaba nos nossos armários, e que mesmo esta não deixa de ser descartada, num futuro por vezes demasiado próximo. O consumidor representa o feedback mais prático e legítimo da última fase de criação de Moda, e por isso é preciso encaminhá-lo para a melhor oferta que a indústria tem para oferecer.

Eva Geraldine é creative consultant e cofundadora da agência Goooders, tendo como missão acompanhar múltiplas marcas por um caminho mais transparente, rastreável e sustentável a todos os níveis. “Meaningful, Beautiful and Profitable” são palavras de ordem e reforça que para além da consciência e ação ambiental, também é preciso honrar o fator social e humano no core das marcas, através de salários e condições de trabalho justos.

Infelizmente, este mesmo ponto continua a ser um dos maiores desafios do presente e do futuro da indústria. Alfredo Orobio, fundador da marca AWAYTOMARS, coloca em cima da mesa aquela pode ser considerada a “analogia do legume biológico”: o que vestimos tem que ser tão importante quanto aquilo que comemos. Se temos tão presente (e aceite) a ideia de que um produto biológico é mais caro pelos seus atributos, não poderemos ignorar que uma t-shirt fast-fashion reúne à sua volta uma série de consequências: a possível exploração de mão de obra, o abuso dos recursos ou a fraca construção e materiais culmina num preço de retalho apelativo às massas, mas altamente prejudicial para quem está por detrás do processo, desde as costureiras até às próprias matérias usadas de forma irresponsável.

Joana Barrios, moderadora das Fast Talks, sublinha a força do capitalismo sobre as nossas vidas quotidianas; o ato de comprar representa uma grande sensação de poder do lado consumidor: abstraído do poder de fazer escolhas conscientes e informadas, a decisão de comprar mais por menos, revela-se como a norma (in)conveniente.

Concluímos que a chave para fomentar o fenómeno de impacto é a educação contínua e a partilha non-stop de informação, de modo a criar novos hábitos de consumo, mas também de produção e de pensar. É indispensável que todas as frentes se juntem, para um push coletivo em direção a um futuro disruptivo, onde designers, makers, produtores, professores, estudantes ou consumidores fazem parte da solução e têm um papel crucial na renovação da informação e na escolha de práticas mais sustentáveis.

Já o impacto positivo da Moda revela-se como uma força que deverá ser capaz de inspirar as pessoas a ser e fazer melhor, e que mostra e prova que todos temos o poder para encontrar soluções e de fazer a diferença seja qual for o papel que assumimos.