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18. Novembro 2019

REPORT CHECK POINT | TENDÊNCIAS DE MODA + ROUNDTABLE MODA E TECNOLOGIA

-  ModaLisboa Collective,  Tendências de Moda,  Check Point

REPORT CHECK POINT | TENDÊNCIAS DE MODA + ROUNDTABLE MODA E TECNOLOGIA

No terceiro dia do Check Point da ModaLisboa Collective foi apresentado o estudo “Novas Tendências da Moda” por Hermano Rodrigues da consultora Augusto Mateus & Associados. Apesar de alongar-se por inúmeras ramificações, o estudo foca o fenómeno da Globalização e a sua estreita relação com a Moda.

Quando falamos de tendências do lado da procura, os novos valores culturais abrem caminho a novos padrões de consumo: activewear, plus size fashion e genderless fashion são três dos segmentos com maior crescimento, sem esquecer a preocupação com a sustentabilidade - economia circular - e a transparência que o consumidor exige cada vez mais do mercado.

Em relação às tendências do lado da oferta, a tecnologia segue na linha da frente dos investimentos das empresas, com o aumento da digitalização das suas cadeias de valor, a aliança entre a informação e a inteligência artificial - grande trabalho feito pela Farfetch e Amazon - o desenvolvimento do e-commerce e a procura por costumização no setor da fast-fashion.

A era da digitalização constitui também uma grande oportunidade para Portugal se lançar em setores menos reconhecidos como o retalho, de forma a fortalecer o seu ecossistema suportado pela indústria.

Após a apresentação deste estudo, discutiram-se as ligações entre Moda e Tecnologia. Graças a um painel constituído por diferentes profissionais da indústria, foi possível ter um vasto overlook sobre onde a Moda e a tecnologia podem chegar em conjunto, não esquecendo o caso português.

Lisa Lang (The PowerHouse), e Alfredo Orobio (Awaytomars) reconhecem Portugal como o país perfeito para o desenvolvimento dos seus projetos: a sua grande herança industrial, o contacto direto e acessível com a indústria, o apoio do Governo e a abertura para a experimentação são alguns dos pontos destacados. Amanda Parkes (Fashion Tech Lab) reforça que o cenário nacional é favorável em termos de escala e oportunidade, especialmente para pequenas marcas que querem experimentar sem comprometer a qualidade do seu negócio. Isto acontece graças à crescente abertura para a inovação, por parte da indústria.

Para Bernardo Gaeiras (FabLab), a capital lisboeta procura posicionar-se continuamente como um facilitador no acontecimento de expressões de criatividade. Espaços como o FabLab oferecem ferramentas como workshops, espaços de trabalho e acesso a instrumentos que fomentam as ideias de todos os criativos que queiram participar neste ambiente.

Quando questionada sobre as oportunidades do futuro da Moda, Lisa reconhece-as em todo o lado: os avanços tecnológicos e a chegada iminente da quarta Revolução Industrial oferecem aos jovens criadores um caminho repleto de novas possibilidades, longe daquilo de que já foi dito e feito. Mas para isso, é preciso dominar o sistema, viver dentro dele, e só depois quebrá-lo. Sem esquecer que a educação contínua e de todos - consumidores, indústria e decision makers - é a chave.

Em relação ao desafio de custos no que toca à tecnologia aplicada à Moda, Amanda acredita que os consumidores estão preparados para as ofertas do futuro, ainda que o maior desafio passe por travar o mindset da fast-fashion e das t-shirts a 4,99€: o consumidor continua a optar pelo custo baixo em prol da qualidade do produto. A reeducação revela-se, uma vez mais, essencial, neste caso com a necessidade da indústria encontrar-se a meio caminho com o consumidor, onde o price point desce para responder à demanda, e o consumidor coloca-se disponível para investir mais, ainda que de forma mais consciente.

Fica claro que ainda temos um longo caminho a percorrer, mas as perspetivas para Portugal são muito positivas. O país oferece capacidades industriais e intelectuais para avançar de forma inovadora no setor da moda.