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7. Novembro 2019

REPORT CHECK POINT | RESPONSABILIDADE: A DIFERENCIAÇÃO NA INDÚSTRIA TÊXTIL PORTUGUESA

-  ModaLisboa Collective,  Check Point

REPORT CHECK POINT | RESPONSABILIDADE: A DIFERENCIAÇÃO NA INDÚSTRIA TÊXTIL PORTUGUESA

Em parceria com a plataforma Catalyst Future Fashion e o Global Fashion Exchange, o primeiro dia do Check Point da ModaLisboa Collective foi orientado para o reconhecimento dos últimos desenvolvimentos em inovação, por parte de algumas das empresas nacionais que perfazem o ciclo da indústria têxtil portuguesa.

Começámos com a Calvelex, empresa de produção do alto segmento de vestuário de senhora, que veio apresentar à ModaLisboa o seu mais recente projeto, a tecidoteca Fabrics4Fashion. O projeto surge de uma bagagem com mais de 30 anos de experiência, para responder à necessidade de uma estratégia de negócio mais sustentável, que permitisse a reutilização de tecidos outrora considerados deadstock ou excedentes de final de produção. Por estratégia interna, a empresa já teria começado a catalogar tecidos nos últimos 20 anos; hoje, tornam-se material de partilha para com a indústria, novos designers e até mesmo o público geral. Em suma, a Fabrics4Fashion quer ser a semente dos negócios do futuro, possibilitando a compra de tecidos sem quantidades mínimas, que protegem o budget de projetos de escala reduzida, e criando bases para que a indústrida de Moda compactue, cada vez mais, com uma mentalidade e economia circular.

Vinte mil referências já se encontram catalogadas, sendo que 7.500 estão disponíveis para ser compradas e expedidas imediatamente, através da sua loja online. O caminho está criado e a Calvelex quer ser o exemplo para as restantes entidades da indústria, com a promoção de atitudes mais responsáveis e conscientes, perto de todos os profissionais que operam no meio.

Prosseguimos com a Inovafil, a “irmã mais nova” da empresa Mundifios, que surgiu em 2015 para responder à procura de fios especiais, por clientes que querem estar em contacto direto com os seus desenvolvimentos. A gama de produtos da Inovafil estende-se pelos fios de desporto, proteção e moda, sendo que a missão de sustentabilidade está presente por toda a oferta. Destaca-se a consideração e o cuidado que a empresa investe em todo o seu trabalho, desde os testes feitos inhouse ao algodão orgânico, à utilização da fibra do kapok (que permite a redução das quantidades de água usadas numa peça), cupro (proveniente dos linters do algodão), urtigas (que dispensam o uso de pesticidas e herbicidas), e ainda daquelas que são certamente as fibras do futuro: o lyocell com tecnologia Refibra (que oferece rastreabilidade e fácil reaproveitamento), e o poliácido láctico (com um tempo de biodegradação de meses, versus as décadas exigidas pelos poliésteres).

“A Sustentabilidade não é Moda, mas sim garantia de futuro”, e a Inovafil pretende continuar a fazer mais e melhor.

Já a Tintex é uma empresa de acabamento e tingimento de malhas, assim como de produção das mesmas. Fundada no ano de 1998 em Vila Nova de Cerveira, a estratégia focada na sustentabilidade e na procura de soluções para um problema ainda não resolvido está presente desde os seus primeiros passos. Quando falamos de futuro, a empresa acredita que os novos modelos de negócio devem assentar na combinação entre inovação, transparência e design.

Reconhecida a nível nacional e internacional por estar constantemente na vanguarda de ideias e projetos, a Tintex posiciona-se atualmente como marca e como força de comunicação, aproximando-se dos seus clientes, mas também dos seus parceiros.

Como símbolo desta nova era, apresentou à audiência os três principais projetos que tem em mãos e que prometem contribuir para uma indústria mais responsável: o Projeto Picasso pretende avançar com técnicas de tingimento natural, substituindo os corantes sintéticos, por extratos naturais (plantas e cogumelos); o Projeto TexBoost, mobilizador da indústria têxtil, insere-se nas práticas da economia circular, e quer encontrar alternativas sustentáveis e naturais para os seus clientes; e por fim, o Projeto Texbion que pretende desenvolver uma fibra sintética que não seja de origem fóssil, mas sim natural, utilizando um polímero de fontes renováveis, proveniente da Natureza. A empresa conclui a sua apresentação com uma chamada de atenção para o facto de Portugal ser um país de dimensões muito reduzidas, e que por essa mesma razão, não há desculpas para não colaborarmos mais e mais, para um futuro melhor.

De seguida, passámos o foco para a Scoop, empresa de confeção de produtos orientados para a prática de Ski, streetwear, e ainda loungewear. Com 25 anos de experiência formados em Vila Nova de Famalicão, a empresa orgulha-se da produção responsável, transparente e ética para com os seus trabalhadores, ambiente e parceiros (algo que está bem presente no ADN, desde a sua fundação). A sustentabilidade da indústria não passa apenas pelas práticas aplicadas ao vestuário, mas também pela valorização e reconhecimento das pessoas que o fazem acontecer. Foi no seguimento desta mesma máxima que a Scoop decidiu avançar com a criação do programa “3 em Linha” (encontrando-se em vias de ser aprovado pelo Governo), que visa promover e apoiar a conciliação da vida pessoal, familiar e profissional dos trabalhadores.

Para além disso, contam com uma série de reconhecimentos e compromissos assinados na área da responsabilidade social, como o pacto global das Nações Unidas, e a elaboração do relatório GRI. Já em resposta ao movimento global para que a indústria da Moda se torne cada vez mais sustentável, a Scoop desafiou um dos seus grandes clientes, o grupo PVH (Tommy Hilfiger), a reutilizar tecidos de produções passadas, que resultaram na criação de uma coleção exclusiva de loungewear. Ainda no campo das colaborações, contam com os projetos Fashion Revolution (criação de fardas) e Blue Soul (upcycling de jeans), ambos criados com objetivo de oferecer maior suporte à vida das suas costureiras, sendo que os fundos revertem para o apoio em formação e o aumento de salários.

“People, Profit and Planet”, são os três P’s que perfazem o ecosistema da Scoop; a esperança é a de poder inspirar mais empresas a adoptar uma perspetiva holística, mas também de 360º sobre o futuro da sustentabilidade, porque “o custo da inação, é maior que o da acção”.

Por fim, recebemos a Valérius, empresa de confeção localizada em Barcelos, para nos apresentar o seu mais recente projeto na ordem da sustentabilidade, Valérius 360. Criado em 2017, a sua principal missão é a reciclagem de desperdícios de corte e sobras de tecido, possibilitando a sua reentrada na cadeia de produção, sob a forma de fio ou de papel de algodão. Apesar do processo ainda não estar industrializado, a Valérius pretende “oficializar” o sistema já no próximo ano de 2020.

A transformação dos materiais inicia-se com a recolha dos mesmos (que provém de diversas origens), seguindo para a separação por composição e cor, até chegar à criação da fibra que irá originar novas soluções; no caso do fio, para que o seu comprimento seja o mais longo possível (sendo este um indicador de resistência e qualidade), a inserção de fibras como o lyocell é soberana, para que o processo se torne o mais sustentável possível.

Com um plano de 8 anos restantes pela frente, 2019 é considerado o ano chave do desenvolvimento da Valérius 360, graças à primeira coleção já criada, e aos acertos finais nas máquinas, que permitirão um arranque de nível industrial.

Fechámos a apresentação com a conclusão de que Portugal está efetivamente a agir, e a procurar fazer mais e melhor no que toca à sustentabilidade da indústria. Cumpriu-se também o objetivo desta reunião, que seria inspirar, mostrar que o futuro acontece agora, e ainda passar o mesmo testemunho de poder ao próprio consumidor: está nas mãos de todos comprar menos e melhor, pois esse é o derradeiro reflexo da indústria de Moda.