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13. Maio 2020

O CHECK POINT DE VANDA JORGE

-  ModaLisboa,  Check Point

O CHECK POINT DE VANDA JORGE

Desde a ModaLisboa Insight que Vanda Jorge e o seu Ecoolhunter by Jornal Eco são parceiros do Check Point. A curadoria de um dos dias de conversa, sempre com os olhos postos no futuro, tem trazido à Lisboa Fashion Week alguns dos projetos mais interessantes do país nas áreas da tecnologia, do empreendedorismo, da inovação, da colaboração na indústria de Moda. Mas a relação de Vanda com a ModaLisboa começou muito antes disso, nos seus tempos de “jovem jornalista, em início de carreira e por isso tudo era novo. É aquela sensação de ‘que privilégio estar aqui, com estas pessoas, a  respirar este ambiente criativo’. Senti que Lisboa estava no mapa”. E estava. E está. Vanda lembra-se da sua primeira vez na Lisboa Fashion Week e diz que “para quem sempre gostou de moda, ter acesso aos desfiles mas também aos bastidores foi uma experiência fantástica. Tudo o que se imagina de uma semana de moda. E eu ali”.  

Agora, enquanto Diretora Criativa e de Conteúdos do Ecoolhunter, tem a oportunidade de estar por dentro da ModaLisboa a pensar o futuro. Foi sobre isso que falámos.

Como começou a tua relação com o Check Point?
Como muitas das parcerias de sucesso, aconteceu um pouco por acaso. Conheci a Graziela Sousa e, entre conversas várias, começámos a encontrar visões e ideias que nos aproximavam. Em particular a nossa visão de que o futuro é colaborativo, por isso aceitei o convite de colaborar naquilo que é a proposta e a dinâmica do Check Point.

O que é que a parceria com o Check Point trouxe de bom ao Ecoolhunter, e vice-versa?
Acredito que as boas parcerias são win-win. Ao Ecoolhunter trouxe conteúdos relevantes sobre a indústria, trouxe visões, reflexões e futuro. Tudo aquilo que faz sentido ao Ecoolhunter. Por outro lado, o contributo que dei na ajuda a construir a experiência Check Point, a visibilidade mediática que dou ao projeto através dos vídeos que produzimos e as conversas que modero, acho que também acrescentei valor.

Qual é que achas ser a importância das parcerias, hoje em dia, e no futuro?
As parcerias — a colaboração, se quisermos — para mim são a fórmula para um futuro mais construtivo, com uma visão mais ampla nesta e noutras indústrias. A complexidade do mundo é mais fácil de interpretar com visões e contributos diferentes.  

Como é fazer a curadoria de um dos dias do programa?
Um enorme desafio, porque todos os anos queremos acrescentar novas layers de interesse, de relevância e de futuro. O que se sente é que começam a existir cada vez mais projetos e pessoas interessantes para desafiarmos a estar connosco. Portanto, o desafio é quase de gestão de talentos e de criatividade, porque há de facto cada vez mais projetos que queremos trazer e partilhar com o público.

Abordar o Futuro, a Tecnologia e a Moda é vital para o funcionamento da indústria. O que é que sentes que mais se alterou nos últimos anos — e para onde é que achas que vamos?
É curioso que a última edição aconteceu precisamente quando a Covid-19 começava a ser uma ameaça. Acho que o que vivemos na última edição pode ter sido a Moda como a conhecíamos, mas acredito que esta indústria vai mudar muito no mundo pós-covid. E não só por via tecnológica, como já se vinha a assistir, mas muito pela alteração de comportamentos e da forma como vamos olhar para a nossa vida. Se o consumo já era consciente, vai aumentar essa consciência, talvez também com uma produção mais local. Acho que a fast fashion vai passar por um momento difícil, que vamos, por um lado, estar atentos a promoções, por causa das dificuldades económicas, mas também mais disponíveis para pagar mais por um produto que sabemos que é sustentável, que vai durar mais. Ultimamente, assistíamos ao mercado Pre-Loved como um mercado em crescimento, agora estou curiosa para ver como se vai manter com os consumidores a valorizarem a questão da segurança (higiene em particular) como grande driver futuro, e acho que há uma grande oportunidade para marcas que queiram apostar na chamada moda protetiva. 

Sentes que as conversas do Check Point são inspiradoras para a construção do futuro? 
Completamente, pelo menos é o que nos dizem no final e que se consegue medir pelo número e tipo de questões que surgem no fim. Acho que há muita vontade de reflexão, até mais do que inspiração, e estas conversas são interessantes precisamente por abrir espaço a essa reflexão e futuro.

Um dos maiores objetivos do Check Point é o networking entre vários players da indústria. Como é que isto se tem materializado?
Temos apresentado pessoas e projetos conhecidos por quem está mais por dentro da indústria, mas que nem sempre chegam ao público em geral, e um dos aspetos interessantes é o próprio debate que acontece entre os vários oradores. Estamos todos de igual para igual, com um objetivo comum: o de apresentar projetos, os novos caminhos e a criatividade da indústria, e apontar futuros. Nesse sentido tem resultado. Falando por mim, mantenho contacto com muitos dos convidados depois do Check Point, sempre atenta, e vão-me informando sobre novos projetos que estão a desenvolver.

Qual foi a conversa mais interessante em que participaste/assististe no Check Point até hoje?
Gostei muito de ter a Lisa Lang na edição anterior [ModaLisboa COLLECTIVE], é uma pessoa extraordinária, com um conhecimento, uma visão e uma capacidade de inspirar a pensar futuro que poucas pessoas têm. E nesta última edição achei muito relevante falarmos de Colaboração. 

Ouviste, nesta plataforma, alguma coisa que tenha alterado o teu ponto de vista, ou feito questionar algo em que até então acreditavas?
Diria que se juntam ali pessoas com um profundo conhecimento da indústria, que eu não tenho, a minha indústria é outra. Por isso, sempre que os ouço falar de temas como sustentabilidade, ou smart textiles, há algo de novo para mim. Não me altera pontos de vista, mas acrescenta-me sempre conhecimento, porque são insiders que falam das últimas inovações.

Quem seriam os intervenientes ideais de uma masterclass no Check Point? 
Ter de volta a Lisa Lang e a Fernanda Torre seria fantástico. O fundador do Business of Fashion, porque gosto muito do lado da comunicação na Moda, que acho que tem que ser cada vez mais transformado em novos conteúdos. Acho que tal como a Moda está a evoluir, a comunicação também se deve transformar.

Nesta edição, foste também participante do nosso primeiro Fashion Hackathon. Como é que foi essa experiência? 
Muito interessante, um grupo muito diferente em termos de percursos, mas que funcionou muito bem. Foram três dias intensos, diria mesmo cansativos, mas foi interessante este pensamento em grupo, pensar futuro quase sem regras, e sentir que chegámos a algum lado quando, no último dia, escrevemos um manifesto em grupo.

O intuito do Fashion Hackathon não era viver dentro daquelas paredes, mas evoluir para além delas. Como é que tens visto o desenvolver deste grupo? Acreditas que daqui podem nascer outros projetos? 
Acredito que está criado um projeto e um grupo de pensadores muito interessante e que tem tudo para crescer. Desde o primeiro dia estamos e continuamos em contacto. Partilhamos ideias. Acho que deveria passar a ter um espaço próprio permanente dentro da ModaLisboa e viver ao longo do ano com encontros e pequenas talks.

Qual é a importância do pensamento, debate e discussão no florescer do sistema de Moda?
É fundamental e será essencial neste novo mundo que vamos (re)descobrir depois da Pandemia. Quem seremos enquanto consumidores, que marcas vão sobreviver, como se vão adaptar, onde ficam temas como a sustentabilidade no pós-covid. Mais do que nunca é o momento de repensar modelos antigos de consumo. Fala-se já no pós-propósito das marcas.

A ModaLisboa sempre foi um think tank para projetos diferentes, e quer interligar pessoas de backgrounds distintos. Na tua opinião, quais são, atualmente, os projetos e pessoas mais criativos em Portugal que deveríamos todos estar a seguir? 
Sou completamente fã do projecto da Lisa Lang e d'OFundamentO. A nossa indústria têxtil precisa desta revolução via tecnologia. Acho que é um projeto que nos pode inspirar a todos neste momento.

Esta entrevista a Vanda Jorge faz parte de uma série de conversas que debatem o impacto das últimas quatro edições da ModaLisboa | Lisboa Fashion Week. Só pensando o nosso percurso sabemos onde estamos hoje. Só sabendo onde estamos hoje poderemos construir o nosso amanhã.