FacebookPinterestTwitter
24. Abril 2019

MULHERES ARTISTAS PORTUGUESAS EM DESTAQUE NA NOVA EXPOSIÇÃO DA GULBENKIAN

-  Exposições,  Arte

MULHERES ARTISTAS PORTUGUESAS EM DESTAQUE NA NOVA EXPOSIÇÃO DA GULBENKIAN

“As mulheres na Coleção Moderna. De Sonia Delaunay a Ângela Ferreira 1916-2018” é o título da exposição que estará patente a partir de 31 de maio na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Com curadoria de Patrícia Rosas, a mostra vai reunir mais de uma centena de obras de mulheres artistas portuguesas, produzidas em Portugal ao longo do último século. Em destaque estarão trabalhos de pintura, desenho, ilustração, têxteis, fotografia, vídeo, escultura e instalação.

O percurso da exposição começa no ambiente de inquietação e rutura estética que marcou o nosso país entre 1910 e 1933, recordando a obra de Sonia Delaunay (1885-1979) com os seus estudos da cor e dos ‘círculos órficos’, assim como o trabalho de artistas como Mily Possoz (1888-1968) e Ofélia Marques (1902-1952), que nos anos 1920 se afirmaram através do desenho e da ilustração de livros infantis e de revistas da época, como a Panorama, a Ilustração ou a Civilização.

Os anos 1950 e ao período da guerra colonial são também marcos nesta mostra que junta história e arte na Fundação Calouste Gulbenkian. Durante esse período, várias artistas emigraram para Paris e Londres, porque não encontravam condições favoráveis ao desenvolvimento da sua obra em Portugal. Foi o caso de Paula Rego (1935) que foi estudar para Londres, entre 1952 e 1956, e aí fixou residência em 1963.

O 25 de abril incentivou o regresso de muitas artistas a Portugal, nomeadamente Ana Hatherly que, nessa altura, documentou a Revolução, rasgando os cartazes das fachadas das ruas de Lisboa.

Os "ambientes" de Ana Vieira (1940-2016) - as primeiras criações instalativas de uma mulher artista em Portugal -, ou o trabalho em fotografia, em série, de Helena Almeida (1934-2018) destacaram-se nos anos 1970 pela inovação e também integram a exposição, assim como as esculturas em pedra maciça e néon de Clara Menéres, que (1943-2018) marcaram a década de 1980, num regresso à monumentalidade da tradição escultórica.

Durante as duas primeiras décadas do século XXI, “entra em cena uma geração de jovens artistas que se distingue das anteriores pela formação académica que realiza ou completa em instituições estrangeiras, e que posiciona já claramente as suas práticas e as suas obras em contextos e circuitos expositivos internacionais”, salienta a curadora Patrícia Rosas no texto de apresentação da exposição.

Nesta área, são destacadas obras de artistas como Luísa Correia Pereira (1945-2009), Susana Gaudêncio (1977), Ana Cardoso (1978), Mariana Gomes (1983) ou Sara Bichão (1986) que, para além da pintura, escultura e desenho, trabalharam diferentes técnicas como o vídeo e a fotografia, transmitindo a diversidade que marca as primeiras décadas do século XXI.

O percurso terminará com uma série de desenhos de Ângela Ferreira (1958), nos quais a artista moçambicana trata o tema dos diamantes na África do Sul.

A exposição “As mulheres na Coleção Moderna. De Sonia Delaunay a Ângela Ferreira 1916-2018” faz um percurso através das obras das mulheres artistas e das realidades do último século que essas obras refletem.