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14. Maio 2020

MODALISBOA: A IMPORTÂNCIA DE SENTIR O FUTURO

-  United Fashion,  Sangue Novo,  ModaLisboa,  Check Point

MODALISBOA: A IMPORTÂNCIA DE SENTIR O FUTURO

Durante quatro edições, o SIAC ModaLisboa Go Global foi a alavanca de crescimento de uma Semana de Moda que se tornou mais internacional, mais criativa, mais multidisciplinar, mais abrangente. É altura de avaliar o progresso para moldar o futuro.

Neste momento, em todo o mundo, designers de Moda mergulham nos arquivos das suas marcas. As equipas regressam lentamente aos ateliers, depois de dois meses de confinamento em que os dias se viveram um de cada vez. O futuro estava demasiado distante para permitir uma visão clara.

Neste momento, em todo o mundo, fazem-se pontos de situação. Analisa-se a estrada percorrida até ontem, porque hoje estamos num cruzamento e é preciso escolher para onde viramos.

Neste momento, em todo o mundo, o sistema de Moda está a reinventar-se. A Moda é o auscultador de todos os tempos da sociedade, é o agente de ação e o agente de reação, é a materialização do pulsar humano. É a linha da frente da mudança.

Desde 1991 que a ModaLisboa se constrói, edição após edição, sentindo o ritmo da cidade que habita e do mundo que a rodeia. A adaptação às exigências criativas, artísticas e empresariais da indústria em que atua sempre foi o segredo da longevidade, pertinência e sagacidade da Lisboa Fashion Week. Muitas vezes, esta adaptação exige crescimento em várias frentes. 

Em outubro de 2018, com a ModaLisboa Multiplex, dávamos início ao projeto ModaLisboa Go Global, apoiado pelo Sistema de Apoio a Ações Coletivas (SIAC) do LISBOA 2020. Os objetivos primordiais deste projeto visavam potenciar o sucesso internacional das Pequenas e Médias Empresas (PME) ligadas à indústria de Moda e alavancar Lisboa enquanto capital cultural e criativa. Para isso, esta iniciativa desenvolvida para quatro edições da Lisboa Fashion Week arrancou com um apoio SIAC homologado de € 499.044,70 para um investimento previsto de € 1.247.611,76, tornando possível não só o aumento das ações desenvolvidas, mas também um reforço significativo da qualidade em todas as plataformas albergadas pela ModaLisboa. Chegados ao fim do projeto, a taxa de execução financeira alcançada cifrou-se acima dos 85%, com todas as ações estruturantes previstas devidamente implementadas.

Depois de Multiplex, Insight, Collective e Awake, é altura de analisar os resultados e, de forma transparente, responder a tudo o que nos propusemos. Esta avaliação, realizada pela sociedade de consultores Augusto Mateus & Associados (atualmente integrada na EY), auscultou cada milímetro das iniciativas que quiseram alargar o âmbito de intervenção de uma Semana de Moda e reforçar e reposicionar o impacto internacional da Moda independente portuguesa. As conclusões são claras. Citando o relatório de avaliação final: “Podemos afirmar que os resultados obtidos com a implementação do projeto ModaLisboa Go Global são claramente positivos e que os objetivos a que se propuseram foram largamente alcançados.”

Como é que os alcançámos? Nunca pensando de forma unidimensional. A indústria de Moda tem dentro de si design, confeção, pensamento, tecnologia, associações setoriais, imprensa, buyers, inovação, empreendedorismo, produção, agentes culturais, comunicação. Pensar uma Semana de Moda tem de ser pensar em todos estes universos. 

Para todos os projetos, reformulámos a forma de apresentação, de comunicação e de ação. Para todos eles abrimos novos espaços, percorremos a cidade, criámos novas disciplinas. Para todos eles apostámos numa linguagem artística diferenciada para que a mensagem fosse transversalmente transmitida.

Ao longo destas quatro edições, houve um crescimento das coleções apresentadas e uma multiplicidade de formatos explorados que se afastaram da convencionalidade, dando liberdade criativa à forma como se comunica Moda. Com novos nomes — nacionais e internacionais — acrescentados ao calendário, a aposta nos novos talentos foi dos maiores focos do projeto. O concurso Sangue Novo cresceu enquanto incubadora de novos empreendedores, não só através do formato desfile, mas especialmente com a sua vertente de mentoria, com o incentivo dos prémios internacionais e com os painéis de júri compostos por profissionais de elevado impacto na indústria de Moda.

“Desde o momento em que tive a minha primeira reunião com o júri, entendi o profissionalismo e a curadoria brilhante que fazem da ModaLisboa uma Semana de Moda tão inesperada. Em todas as fases do processo, senti-me respeitado e motivado.” Archie Dickens, designer de Moda e participante no concurso Sangue Novo nas edições Multiplex e Insight.

A promoção da indústria de Moda em Portugal tem de ser estruturada para além da apresentação. Plataformas como o Check Point e o Wonder Room foram erguidas e reforçadas para gerar networking, vendas, consolidação de marca, debate, divulgação de negócios e PMEs, e também para dar origem a novos projetos. São uma mostra permanentemente atualizada do melhor que se faz no mercado, da importância da sustentabilidade na indústria, da diferenciação do tecido empresarial português e de novos modelos de negócio que dão primazia à inovação e ao futuro.

“O Wonder Room é a janela perfeita para a mostra de novos talentos e marcas cujo âmago é a sustentabilidade e produção ética. Estar presente cria a oportunidade de divulgar o contínuo progresso na busca de novos materiais e técnicas que podem mudar e diversificar o rumo de como se faz Moda em Portugal.” Adriana Mano, Zouri.

Unir novas marcas, oradores com experiência e visão global de inovação, discursos que fomentam o empreendedorismo, melhoria dos processos e produções éticas e estabelecer parcerias institucionais com agentes incomparáveis, como a APICCAPS, o CENIT/ANIVEC, a AORP, a ANJE,  a POLIMODA e o UNITED FASHION tornou-se numa das mais importantes missões da ModaLisboa. Criar este evento co-organizado com Câmara Municipal de Lisboa — sem a qual não seria humanamente possível viver a cidade tão intensamente como temos feito — é, também, criar um lugar de relações profundas e de troca de conhecimentos com marcas parceiras e patrocinadoras, que trazem à Lisboa Fashion Week o know-how das suas áreas de ação. Estarmos aliados à Associação de Turismo de Lisboa, à RTP e a empresas especializadas como a Renova, L’Oréal Professionnel, Perfumes & Companhia e Altice é incentivar a colaboração sem a qual não seria possível a edificação de um amanhã melhor.

Através deste intercâmbio de experiências, conseguiu-se, citando o relatório da Augusto Mateus & Associados, “um impacto muito significativo na confiança dos empreendedores e potenciais empreendedores, induzindo os mesmos a criar o seu próprio negócio, a serem mais arrojados e a colocarem mais ambição no desenvolvimento dos negócios já existentes, promovendo a validação da incorporação de fatores inovadores como fundamentais para o sucesso dos mesmos”.

A imaterialidade dos ativos de uma Semana de Moda, especialmente quando esta se apoia fortemente na liberdade criativa, na comunicação artística e na promoção do design, torna difícil medir em parâmetros numéricos o sucesso do projeto levado a cabo nos últimos dois anos. Mas, ainda segundo o relatório de avaliação citado, “é indiscutível que o propósito de reforçar a capacitação das PME ligadas aos negócios da Moda para o desenvolvimento de estratégias que incorporem fatores mais diferenciadores na sua oferta (designadamente o design e a inovação) foi fortemente alavancado pelo projeto ModaLisboa Go Global”.

Fechado com sucesso este capítulo, é altura de começar a escrever o próximo. As circunstâncias exigem-nos que repensemos antigos formatos e que reforcemos a promoção da Moda nacional, o consumo local, o empreendedorismo, os modelos sustentáveis de negócio. A missão da ModaLisboa é ser a plataforma da Moda independente, e hoje, mais do que nunca, é necessário dar voz aos agentes de mudança. A próxima edição será diferente de todas as que erguemos até agora. Estamos prontos para construir o futuro.