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15. Outubro 2019

MODALISBOA COLLECTIVE TERMINA COM OLHOS NO FUTURO

-  ModaLisboa,  ModaLisboa Collective

MODALISBOA COLLECTIVE TERMINA COM OLHOS NO FUTURO

Há um ano, a ModaLisboa COLLECTIVE começou a ser planeada. Ainda não existia tema — chamávamos-lhe apenas a edição 53 — mas havia o desejo pulsante de habitar as Antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército. Então as conversas entre as três instituições — a Associação ModaLisboa, o Exército Português e a Câmara Municipal de Lisboa — começaram.

Desde o primeiro dia que existia vontade de fazer acontecer. Mas todos sabemos que do querer ao materializar podem ir anos-luz. Felizmente não precisámos de tanto tempo. E, de repente, já passou.

Há três meses e meio que a equipa de produção da ModaLisboa, a equipa da CML e o Exército estão a intervir no espaço — e falamos no presente porque apesar de a edição ter chegado ao fim, há um evento para desmontar. Foram precisas 450 pessoas para erguer o que viram nestes quatro dias.

Parecem muitas? Não são. Tivemos 22 desfiles e 37 coleções. Seis designers de Workstation que interviram no Palácio Sinel de Cordes com uma exposição da Trienal de Arquitectura. Quatro oradores nas Fast Talks, moderadas mais uma vez por Joana Barrios, que nos mostraram que a moda pode mesmo fazer deste mundo um lugar melhor.

Na sexta feira, com um nervoso miudinho de expectativa, abrimos as antigas oficinas a Lisboa — e abrimos muito mais que isso. Abrimos também, cada vez mais, a ModaLisboa ao público. Quatro exposições, um Wonder Room com 21 marcas e programação própria, mais a exibição de um vestido de Dino Alves que foi uma autêntica obra de arte, mais instalações multimédia, mais seis artistas na Workstation, mais um bar e a Leitaria Lisboa, mais um lounge, mais a magia da Messe onde voltámos a dar vida às cozinhas das oficinas. Tivemos um Check Point com 18 oradores e moderadores e workshops e rountables e networking e aprendizagem. Tivemos, pela primeira vez, um happening da APICCAPS, com magníficos bailarinos e um DJ set de Fred, dos Orelha Negra, que já nos ensinou que o amor nos encontra no fim. Tivemos a presença especial do Quarteto de Sopro do Exército. Tivemos um Resort no Jardim das Laranjeiras que nunca esteve menos que cheio.

A Sala LAB, cuja primeira fila foi construída com bancos e cadeiras que forravam os vários espaços das oficinas, tinha uma alma como poucas outras. Os designers que por lá passaram viveram-na ao máximo, encheram-na pelas costuras, nunca deixaram uma cadeira vazia e nunca deixaram a passerelle sem nos deixar com palpitações. Fizeram justiça à plataforma de experimentação que habitam, mostraram que é na juventude de espírito que vivemos o futuro.

E o futuro começa em Sangue Novo. Foram estes dez designers que estrearam a passerelle principal de 60 metros que percorria a plenitude da Sala dos Botes das oficinas. Um edifício magnífico, imponente, potente, que parecia ter sido feito para ser a moldura dos nossos criadores. Recebeu dentro dela 16 desfiles, e nenhum - repetimos, nenhum - foi indiferente.

Podem vê-los em revistas, jornais, sites, plataformas, programas de televisão. Recebemos 268 jornalistas nacionais e 77 internacionais, que nos visitaram para conhecer as propostas dos criadores de moda nacionais para a primavera/verão 2020.

No total, recebemos cerca de 25.500 pessoas. Que vieram aos desfiles e a todas as nossas ações abertas. Que vieram e visitaram o Museu Militar de Lisboa e a Sala dos Gessos, que vieram e aproveitaram a Feira da Ladra que, no sábado, nos deu ainda mais luz. Que vieram, como vêm sempre. Que vieram a primeira vez e que vão, de certeza, voltar.

Porque se nesta edição até ao Panteão Nacional fomos, imaginem onde poderemos ir a seguir. Se bem que é difícil superar o deslumbramento que vivemos em Carolina Machado, com o épico monumento de um lado e as maravilhosas casas lisboetas do outro, com o público em todo o lado, a abraçar este momento tão, tão especial.

E especiais foram também os nossos 40 voluntários, vestidos com as fardas feitas em parceria com a Calvelex, com tecido de arquivo cedido pelo próprio Exército, e que tão bem coordenaram o espaço, tão bem ajudaram todo o nosso público a circular pelo complexo a que agora chamamos casa.

Mas vamos a números? Entre produção, organização, bastidores, limpeza, logística e equipas de criadores, tivemos 1650 pessoas a trabalhar em permanência durante o evento. Passámos dos dois habituais bombeiros para 11 e um carro de comando. Tivemos um enfermeiro e um socorrista a prestar apoio médico, assegurados pelo Exército. Tivemos também cinco elementos da Polícia Militar, até porque esta mudança de espaço exigiu, também, um reforço de segurança. Contámos com 25 assistentes de produção e, de certeza, íamos chegando aos 89 mil cafés bebidos. Mas aqui podemos estar a exagerar.

Mais importante de tudo: reforçámos a parceria com a ReFood, que começámos na edição passada. Todos os materiais de projeto — mobiliário, cenografia, set design — foram cedidos por parceiros, saíram do espólio do Exército ou são reutilizados de edições anteriores, porque um evento como a ModaLisboa tem, obrigatoriamente, de ser pensado numa lógica de sustentabilidade, ética e reaproveitamento.

Quando o dia de domingo terminou e a equipa se reuniu, percebeu-se que o tema escolhido para esta edição não poderia ter sido mais certeiro. O novo espaço exigiu-nos muito, mas quando somos um coletivo, quando trabalhamos todos para um objetivo comum, os quilómetros não pesam nos pés, as vozes não zumbem nos ouvidos e o cansaço guarda-se todo para hoje.

E o coletivo não acaba na equipa. Inclui os parceiros, os patrocinadores, o público e os jornalistas. Inclui, sempre, a Câmara Municipal de Lisboa. Inclui o Exército Português que foi o melhor companheiro de aventura e missão que poderíamos ter tido e que connosco aceitou quebrar todas as barreiras e abrir todos os portões. Inclui os jornalistas, repórteres, fotógrafos e videógrafos que mostraram a ModaLisboa COLLECTIVE ao país e ao mundo. Inclui todo o público que não deixou um desfile sem salva de palmas.

A Lisboa Fashion Week regressa em março de 2020, e podemos prometer desde já que vai ser uma edição tão ou mais especial do que esta. Ao mesmo tempo que estamos a escrever este texto, já estamos a prepará-la. Mas muito antes disso, teremos mais histórias para contar.

Até já.