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15. Julho 2020

"LISBOA AINDA": QUATRO OLHARES DISTINTOS SOBRE A CIDADE EM QUARENTENA

-  Exposições,  Fotografia

"LISBOA AINDA": QUATRO OLHARES DISTINTOS SOBRE A CIDADE EM QUARENTENA

O Museu de Lisboa inaugura, a 23 de julho, a exposição de fotografia “Lisboa Ainda” que mostra a cidade em quarentena, através da objetiva de quatro fotojornalistas com diferentes percursos: Luís Miguel Sousa, Pedro Nunes, José Fernandes e Tiago Miranda.

Durante o período de quarentena, as cidades que habitualmente víamos repletas de turistas tornaram-se desertas. Lisboa não foi exceção. A nossa cidade sofreu uma mudança profunda na sua vivência que ficará, para sempre, na memória coletiva.

No Pavilhão Preto do Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, vão ser apresentados, até 20 de setembro, “quatro olhares distintos sobre uma Lisboa em quarentena. São quatro olhares de quem conseguiu, através da objetiva, captar a essência e a beleza de uma cidade confinada, acrescentando assim uma nova dimensão àquele que seria o seu objetivo inicial: informar”, explica Rita Palla Aragão, comissária da exposição.

“Fotografar a cidade parada. Sem o aeroporto e as escolas, mas também sem teatros e cinemas, cafés e esplanadas, restaurantes e bares, concertos e bailados, lojas e quiosques, floristas e vendedores ambulantes, mercados e feiras. Com a cidade parada, sem o movimento dos seus habitantes, desapareceram os pequenos gestos de cada um e que fazem o dia a dia de todos”, elucida Rita Aragão.

Luís Miguel Sousa regressou aos lugares que anteriormente tinha fotografado cheios de turistas para, com o mesmo enquadramento, captar o contraste dos espaços vazios. Pedro Nunes fotografou Lisboa na primeira manhã da primeira segunda-feira da primeira semana da quarentena. José Fernandes destacou figuras em branco na escuridão das ruas vazias e Tiago Miranda fotografou Lisboa pela janela do carro, captando “a cidade como um não lugar”.

O título da mostra – “Lisboa Ainda” – foi retirado do poema que Manuel Alegre escreveu sobre a cidade durante a quarentena e ao qual será dedicada uma sala na exposição, onde estarão também excertos de poemas de Manuela de Freitas, Maria Teresa Horta e Sophia de Mello Breyner.

Poema "Lisboa Ainda" de Manuel Alegre:

“Lisboa não tem beijos nem abraços
não tem risos nem esplanadas
não tem passos
nem raparigas e rapazes de mãos dadas
tem praças cheias de ninguém
ainda tem sol mas não tem
nem gaivota de Amália nem canoa
sem restaurantes sem bares nem cinemas
ainda é fado ainda é poemas
fechada dentro de si mesma ainda é Lisboa
cidade aberta
ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste
e em cada rua deserta
ainda resiste.”