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13. Maio 2021

#CHECKIN: ARCHIE DICKENS & AMORPHOUS

-  Lifestyle,  Entrevista

#CHECKIN: ARCHIE DICKENS & AMORPHOUS

Archie Dickens lançou um novo projeto, AMORPHOUS, e a ModaLisboa quis saber tudo sobre ele.

No início do século XX, Carl Jung propôs a teoria de que a nossa casa é poderosamente simbólica e psicologicamente determinante. As quatro paredes que habitamos são um reflexo da nossa identidade, e a forma como construímos esse espaço está diretamente relacionada com a nossa narrativa interior e estado de espírito. É claro que não precisávamos de um psiquiatra para nos explicar isto, especialmente quando passámos a conhecer as nossas casas demasiado bem no último ano. Mas ajuda pensar que quando cuidamos dela, também cuidamos de nós — e que tudo o que está à nossa volta serve como uma espécie de regulador emocional.

A terapia de cor, por exemplo, já é praticada há muito tempo como forma de cura holística. Vejamos os vermelhos e laranja: são os tons com maior comprimento de onda, obrigando os olhos a ajustar-se e, por isso, é um forte estimulante do nosso corpo. O que ajuda quando nos sentimos dormentes e sem vontade de nada. Para equilibrar? Conforto. Investigadores japoneses chegaram à conclusão que quem pisa tapetes (em contraste com soalho em madeira), experiencia ondas alfa, que aliviam o stress. Onde é que isto nos leva? Precisamente a Archie Dickens e a AMORPHOUS.

Antes de mais, temos saudades tuas! Como é que estás, e o que é que tens feito?
Estou a trabalhar no meu atelier desde janeiro, a evitar a praga, a mudar-me para uma nova casa e a tornar-me horticultor urbano! Isto inspirou bastante o meu trabalho recente, e trouxe-me uma alegria que eu pensei que poderia não voltar a experienciar. Aprendi sozinho a usar a pistola manual de tufagem (tufting gun) (tão divertido) e também a renderizar/animar em 3D (muito básico até agora, mas a chegar lá) e então tudo isto culminou num projeto, AMORPHOUS.

No passado mês de outubro, na ModaLisboa MAIS, apresentaste as suas incríveis almofadas. Foi a tua primeira aposta numa coleção Home?
As almofadas foram as primeiras peças totalmente finalizadas que fiz para interiores, mas eu sempre adorei design têxtil para interiores. Durante muito tempo, senti (erradamente) que ficava num patamar abaixo da Moda, porque me parecia mais fácil e menos desafiante. Achava que, no geral, não envolvia alguns dos aspetos mais glamourosos e estimulantes do ego da Moda — no entanto, percebi recentemente que o design têxtil de interiores é algo que me sai mais naturalmente do que a Moda, e só porque é natural não significa que eu deveria pensar nisso como muito "fácil" ou menos especial.

Então Home é algo que sempre quiseste fazer? Ou o facto de termos ficado confinados durante tanto tempo inspirou-te a experimentar?
Sempre quis oferecer um conceito de living a 360º. Com roupa, acessórios, móveis, homeware, música eclética, papel de parede, desenhos e arte para as paredes, então ... basicamente tudo. É quase impossível fazer tudo sozinho, e é por isso que demorei tanto tempo a chegar a este ponto, mas estou a encontrar um foco que me parece real e me parece certo. O confinamento: embora tenha sido terrível, deu-me tempo — tempo para entrar em colapso e desintegrar, e depois transformar a minha poça a transbordar em algo novo, que tem uma razão de ser. Não posso dizer com certeza se faria peças para interiores sem o Coronavírus, mas espero que sim!

Conta-nos mais sobre a AMORPHOUS. Como é que começou? Foste só tu a experimentar novas técnicas como hobby e que evoluíram para o que é agora, ou o intuito sempre foi comercializar?
Durante muito tempo depois da ModaLisboa MAIS, senti-me muito vazio e sem inspiração. Foram muitos dias, muito longos, sentado no estúdio a olhar para a parede ou a ver Drag Race uma e outra vez. Então, em janeiro, aconteceu uma coisa mágica e, de repente, senti a necessidade de comprar um caderno de esboços e começar a desenhar formas. Pouco a pouco, elas começaram a desenvolver-se e a esticar-se e a deformar-se, adicionei cor e comecei a espalhar ideias e a dividir os meus pensamentos em pedaços que agora caíram num lugar chamado amorphous ooze. A tufting gun tornou as coisas possíveis e, honestamente, sempre pensei nisto enquanto empreendimento comercial — no entanto, acabou por ser muito mais importante para o desenvolvimento da minha prática artística do que eu pensava. AMORPHOUS surgiu da combinação do desenho espontâneo com a tufting gun, que também pode ser muito espontânea. Peças hipnóticas, globulares e artesanais para diferentes espaços da casa. Formas que escorrem e aparecem nos cantos, vazando e crescendo. Formas líquidas para um mundo líquido, e agora quero dar-lhes vida.

Estás feliz com o feedback?
Estou muito feliz com o feedback até agora, quero que as peças cheguem a determinados sítios e quero vendê-las. Adoraria ter uma exposição para que as pessoas as vissem como eu pretendo.

O que é que podemos esperar da AMORPHOUS?
Quero fazer APEX oozes enormes, oozes pequenos e neonatos, oozes adolescentes ... e quero que eles escorram para novos espaços, uma exposição ou um espaço conceitual, para mostrá-los, possivelmente com roupa.

E quanto à roupa: estás a trabalhar em algo novo?
Tenho algumas ideias que cresceram como sementes desde que comecei a fazer meu amorphous ooze. Fiquem atentos!