Check Point

Apresentação Tendências de Moda + Roundtable Moda e Tecnologia

ModaLisboa

THE FUTURE OF FASHION
Parceria com EcoolHunter by Jornal ECO

Apresentação do estudo "Novas Tendências da Moda", da autoria da consultora Augusto Mateus e Associados, atualmente integrada na EY, que identifica e destaca os grandes processos de mudança que atravessam as indústrias de moda na atualidade. 

O estudo, realizado no âmbito do projeto ModaLisboa GoGlobal, aponta para uma clara alteração do paradigma nas indústrias da moda, refletindo-se tanto ao nível dos consumidores como da oferta.

As principais conclusões são as seguintes:

- Nos últimos anos, as indústrias da moda têm vindo a sofrer alterações estruturais decorrentes da liberalização do comércio internacional, da globalização, da urbanização, das alterações climáticas, da digitalização e do surgimento e consolidação de mercados emergentes como produtores;

- O fenómeno crescente das redes sociais e da digitalização, juntamente com o conceito da fast-fashion, modificaram drasticamente o paradigma da moda e os seus ciclos de vida;

- Constata-se uma forte reconfiguração das cadeias de valor da moda, puxada pelo comprador e pela diferenciação, observando-se uma crescente preponderância dos fatores imateriais de competitividade (e.g. moda, marca, design, estatuto) e das temáticas relacionadas com a sustentabilidade e a transparência;

- Do lado da oferta, há uma clara aposta na inteligência artificial, na aquisição e/ou estabelecimento de parcerias com start-ups e empresas tecnológicas, no investimento na automação da produção e na deslocalização da mesma para a proximidade dos centros de consumo;

- A aposta no desenvolvimento de novos materiais e produtos e nas plataformas online também é encarada como uma forma de ir ao encontro dos reptos da diferenciação;

- Seguindo as motivações dos consumidores, as empresas têm procurado reformular os seus modelos de negócio, priorizando a personalização/customização, os canais digitais, a circularização das cadeias de valor e a oferta de serviços aos consumidores.



Após a apresentação deste estudo, discutiram-se as ligações entre Moda e Tecnologia. Graças a um painel constituído por diferentes profissionais da indústria, foi possível ter um vasto overlook sobre onde a Moda e a tecnologia podem chegar em conjunto, não esquecendo o caso português.

Lisa Lang (The PowerHouse), e Alfredo Orobio (Awaytomars) reconhecem Portugal como o país perfeito para o desenvolvimento dos seus projetos: a sua grande herança industrial, o contacto direto e acessível com a indústria, o apoio do Governo e a abertura para a experimentação são alguns dos pontos destacados. Amanda Parkes (Fashion Tech Lab) reforça que o cenário nacional é favorável em termos de escala e oportunidade, especialmente para pequenas marcas que querem experimentar sem comprometer a qualidade do seu negócio. Isto acontece graças à crescente abertura para a inovação, por parte da indústria.

Para Bernardo Gaeiras (FabLab), a capital lisboeta procura posicionar-se continuamente como um facilitador no acontecimento de expressões de criatividade. Espaços como o FabLab oferecem ferramentas como workshops, espaços de trabalho e acesso a instrumentos que fomentam as ideias de todos os criativos que queiram participar neste ambiente.

Quando questionada sobre as oportunidades do futuro da Moda, Lisa reconhece-as em todo o lado: os avanços tecnológicos e a chegada iminente da quarta Revolução Industrial oferecem aos jovens criadores um caminho repleto de novas possibilidades, longe daquilo de que já foi dito e feito. Mas para isso, é preciso dominar o sistema, viver dentro dele, e só depois quebrá-lo. Sem esquecer que a educação contínua e de todos - consumidores, indústria e decision makers - é a chave.

Em relação ao desafio de custos no que toca à tecnologia aplicada à Moda, Amanda acredita que os consumidores estão preparados para as ofertas do futuro, ainda que o maior desafio passe por travar o mindset da fast-fashion e das t-shirts a 4,99€: o consumidor continua a optar pelo custo baixo em prol da qualidade do produto. A reeducação revela-se, uma vez mais, essencial, neste caso com a necessidade da indústria encontrar-se a meio caminho com o consumidor, onde o price point desce para responder à demanda, e o consumidor coloca-se disponível para investir mais, ainda que de forma mais consciente.

Fica claro que ainda temos um longo caminho a percorrer, mas as perspetivas para Portugal são muito positivas. O país oferece capacidades industriais e intelectuais para avançar de forma inovadora no setor da moda.

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