Check Point

Apresentação Tendências de Moda + Roundtable Moda e Tecnologia

13 Outubro
14h30
Sala Check Point
ModaLisboa

THE FUTURE OF FASHION
Parceria com EcoolHunter by Jornal ECO

Apresentação do estudo "Novas Tendências da Moda", da autoria da consultora Augusto Mateus e Associados, atualmente integrada na EY, que identifica e destaca os grandes processos de mudança que atravessam as indústrias de moda na atualidade. 

O estudo, realizado no âmbito do projeto ModaLisboa GoGlobal, aponta para uma clara alteração do paradigma nas indústrias da moda, refletindo-se tanto ao nível dos consumidores como da oferta.

As principais conclusões são as seguintes:

- Nos últimos anos, as indústrias da moda têm vindo a sofrer alterações estruturais decorrentes da liberalização do comércio internacional, da globalização, da urbanização, das alterações climáticas, da digitalização e do surgimento e consolidação de mercados emergentes como produtores;

- O fenómeno crescente das redes sociais e da digitalização, juntamente com o conceito da fast-fashion, modificaram drasticamente o paradigma da moda e os seus ciclos de vida;

- Constata-se uma forte reconfiguração das cadeias de valor da moda, puxada pelo comprador e pela diferenciação, observando-se uma crescente preponderância dos fatores imateriais de competitividade (e.g. moda, marca, design, estatuto) e das temáticas relacionadas com a sustentabilidade e a transparência;

- Do lado da oferta, há uma clara aposta na inteligência artificial, na aquisição e/ou estabelecimento de parcerias com start-ups e empresas tecnológicas, no investimento na automação da produção e na deslocalização da mesma para a proximidade dos centros de consumo;

- A aposta no desenvolvimento de novos materiais e produtos e nas plataformas online também é encarada como uma forma de ir ao encontro dos reptos da diferenciação;

- Seguindo as motivações dos consumidores, as empresas têm procurado reformular os seus modelos de negócio, priorizando a personalização/customização, os canais digitais, a circularização das cadeias de valor e a oferta de serviços aos consumidores.



Após a apresentação deste estudo, discutiram-se as ligações entre Moda e Tecnologia. Graças a um painel constituído por diferentes profissionais da indústria, foi possível ter um vasto overlook sobre onde a Moda e a tecnologia podem chegar em conjunto, não esquecendo o caso português.

Lisa Lang (The PowerHouse), e Alfredo Orobio (Awaytomars) reconhecem Portugal como o país perfeito para o desenvolvimento dos seus projetos: a sua grande herança industrial, o contacto direto e acessível com a indústria, o apoio do Governo e a abertura para a experimentação são alguns dos pontos destacados. Amanda Parkes (Fashion Tech Lab) reforça que o cenário nacional é favorável em termos de escala e oportunidade, especialmente para pequenas marcas que querem experimentar sem comprometer a qualidade do seu negócio. Isto acontece graças à crescente abertura para a inovação, por parte da indústria.

Para Bernardo Gaeiras (FabLab), a capital lisboeta procura posicionar-se continuamente como um facilitador no acontecimento de expressões de criatividade. Espaços como o FabLab oferecem ferramentas como workshops, espaços de trabalho e acesso a instrumentos que fomentam as ideias de todos os criativos que queiram participar neste ambiente.

Quando questionada sobre as oportunidades do futuro da Moda, Lisa reconhece-as em todo o lado: os avanços tecnológicos e a chegada iminente da quarta Revolução Industrial oferecem aos jovens criadores um caminho repleto de novas possibilidades, longe daquilo de que já foi dito e feito. Mas para isso, é preciso dominar o sistema, viver dentro dele, e só depois quebrá-lo. Sem esquecer que a educação contínua e de todos - consumidores, indústria e decision makers - é a chave.

Em relação ao desafio de custos no que toca à tecnologia aplicada à Moda, Amanda acredita que os consumidores estão preparados para as ofertas do futuro, ainda que o maior desafio passe por travar o mindset da fast-fashion e das t-shirts a 4,99€: o consumidor continua a optar pelo custo baixo em prol da qualidade do produto. A reeducação revela-se, uma vez mais, essencial, neste caso com a necessidade da indústria encontrar-se a meio caminho com o consumidor, onde o price point desce para responder à demanda, e o consumidor coloca-se disponível para investir mais, ainda que de forma mais consciente.

Fica claro que ainda temos um longo caminho a percorrer, mas as perspetivas para Portugal são muito positivas. O país oferece capacidades industriais e intelectuais para avançar de forma inovadora no setor da moda.

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